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“As marcas estão tentando entender qual é o lugar delas no metaverso”

Para Valerie Vacante, diretora de estratégia, experiência de produto e inovação da Merkle, companhias precisam “começar pelo básico” em relação à tecnologia, com estratégias que sejam acessíveis e conectadas aos anseios reais de consumidores

A diretora de estratégia, experiência de produto e inovação da Merkle, Valerie Vacante: “Marcas agora devem experimentar as possibilidades” (Foto: Reprodução/SXSW)

Para Valerie Vacante, apesar de experiências de imersão digital não serem exatamente novas – vide a existência de The Sims ou Simple Life desde o início do século -, as marcas precisam estar preparadas, agora, para lidar com uma geração inteira que cresceu com jogos virtuais e a experiência de comprar digitalmente. Nesse sentido, defende ela, é preciso que cada companhia saiba como experimentar as diferentes plataformas que hoje são identificadas como o metaverso.

“Não acho que todo mundo precisa entrar no Roblox nem acho que todas as marcas precisam estar no Fortnite. A grande questão que precisa ser colocada é quem é você como marca”, afirma a executiva, em entrevista à Época NEGÓCIOS. “No fim, todas essas iniciativas vão depender de quem são os seus consumidores, como você quer alcançá-los e quais são os seus objetivos com isso.”

Inovadora premiada, Valerie Vacante é diretora da ​​Merkle, empresa global de experiência do cliente que é parte do grupo japonês Dentsu. Ao cargo, Vacante também soma o posto de VP de Soluções de Inovação da própria Dentsu, além de ser fundadora da empresa de estratégia e inovação Collabsco e integrante do Conselho Consultivo de Inovação do SXSW. Na última semana, ela esteve no Brasil como um dos principais nomes do Sebrae Global Experience.

Segundo ela própria, seu papel é o de desvendar tendências culturais e a próxima geração de inovação em produtos, além de desenhar estratégias que impactam a maneira como as pessoas se conectam e experimentam os mundos físico e digital.

As marcas diante do metaverso

Ao criarem experiências digitais de compra ou engajamento mirando o metaverso, a executiva destaca a importância de as companhias terem sempre em foco ferramentas que sejam adaptáveis não só para os headsets, mas também para os celulares e computadores.  A ideia é que não só os usuários que já estão imersos neste mundo da realidade virtual possam se conectar, mas todos os consumidores que estão conectados à internet.

“Ser mais acessível significa ter mais pessoas usando e mais gente participando. Essas são as experiências que vão sair vencedoras nesse momento. Uma saída para isso é criar uma opção de espaço virtual no modo broadcast, em que as pessoas ao menos possam participar e ver a experiência”, explica.

Valerie aponta que muita gente tende a achar que o metaverso é o equivalente à realidade virtual, que em breve estaremos vivendo com headsets em mundos virtuais: “Mas não, a realidade virtual não é o metaverso.”

Na Merkle, a estratégia de criar o futuro sem deixar para trás nenhum consumidor pode ser vista nos recursos envolvidos na ShopNXT, plataforma de aceleração digital para o varejo que foi co-criada por Valerie. A ideia é ajudar as marcas a criarem experiências mais personalizadas, com recursos de realidade virtual, mas também de conexão em lojas e de integração phygital, do físico e digital.

Uma das ferramentas da ShopNXT é um showroom em realidade virtual que pode ser usado no varejo para venda e exposição de produtos, assim como para testes virtuais com consumidores, treinamento interno de equipes e apresentações. Para acessar a plataforma, os usuários podem entrar de forma imersiva com um headset ou de seu computador.

“O importante, agora, é que as marcas comecem do básico, experimentando as possibilidades. É isso que nós estamos fazendo por aqui”, diz Valerie. “Antes de investir uma enorme quantidade de dinheiro em alguma plataforma, é preciso antes descobrir esse espaço e entender como ele funciona.”

Um futuro que seja útil e integrado

Para a executiva, o sucesso que gigantes da moda e varejo possam ter em plataformas como Roblox, Decentreland e Fortnite não necessariamente é replicável a todos. O caminho, segundo ela, é a experimentação. “O que as marcas estão tentando é entender o lugar delas no metaverso.”

Um ponto fundamental nesse processo é que as empresas possam entender o que os consumidores de fato querem e precisam – para, então, aprimorar esses recursos. “O que acontece, especialmente nas empresas de tecnologia, é que elas vão criando, criando e criando e de repente elas percebem que ‘Olha, as pessoas só queriam essas 5 coisas, e vocês criaram 50!’”, explica. “Nós temos que focar nessas cinco coisas e fazer com que elas sejam ótimas.”

Para o futuro, o que Valerie vislumbra como um dos grandes desafios na imersão digital de usuários, consumidores e marcas é a integração de diferentes plataformas. Hoje, quem usa uma das ferramentas identificadas como metaverso – seja ela o Roblox ou o Horizon, da Meta   –  precisa criar o seu próprio avatar, login e acesso para cada uma delas.

“Para as marcas, vai ser importante que a gente possa se movimentar entre as plataformas tal qual fazemos no mundo físico, onde você escolhe a roupa que quer vestir, pega o seu cartão de crédito e vai em uma loja e depois em outra. Isso não acontece hoje nesses espaços. Dar às pessoas essa flexibilidade vai ser fundamental.”

FONTE: https://epocanegocios.globo.com/Inovadores/noticia/2022/09/marcas-estao-tentando-entender-qual-e-o-lugar-delas-no-metaverso.html