dez 08

Aplicativo facilita a vida dos surdos

Ela foi tema da redação do Enem e confundiu a cabeça de alguns candidatos. Uns pensaram em astrologia e viram uma balança, outros lembraram da moeda britânica.  Mas a Libras, com “s” mesmo, é o nome da janela de comunicação de mais de 9 milhões de surdos brasileiros. A sigla, que representa Língua Brasileira de Sinais, foi a inspiração para um aplicativo lançado em junho e que, até o início de novembro, já havia tido mais de 5 mil downloads. O Giulia, como é chamado, transforma os movimentos da língua de sinais em mensagens em áudio e também traduz o que é falado para os sinais de Libras. Ele foi criado por um amazonense, que milita no campo da ciência mais humana há mais de 30 anos.

Manuel Cardoso, criador do Giulia e fundador da Map Technology, é também o inventor do mouse ótico, que facilita a vida dos pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). O cientista disse ter inventado o aplicativo Giulia para facilitar a comunicação entre pessoas surdas e quem não conhece Libras, mesmo sem ter inspiração direta de nenhum amigo ou familiar na busca por aproximar a ciência da humanização.

“O critério científico no qual procuro trabalhar é o de agregar valor com uma nova invenção, de procurar problemas para buscar a solução. E quando você começa a trabalhar com essas tecnologias assistivas, acaba se aprofundando nesse tema de inclusão, de saber mais das restrições às ações humanas que podem ser auxiliadas pela ciência”, destacou.

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O Giulia já ultrapassou as 75 mil traduções em Libras (número até setembro). O aplicativo é gratuito e funciona de maneira muito simples. Quando o surdo movimenta o braço para fazer os gestos da língua de sinais, as Libras, o aplicativo lê os sensores que definem esses movimentos. Ele reconhece nesses movimentos o sinal e o equivalente em português daquele sinal. O celular, por fim, sintetiza em voz eletrônica o correspondente em português do sinal que o surdo fez.

Além da função de tradutor, também há um chat entre os usuários e a função de chamada de emergência (uma gravação avisa ao atendente de bombeiros, hospital ou polícia que quem chama é surdo), alarme com luzes e de babá eletrônica (uma luz pisca quando o bebê chora em um quarto próximo).

Para a tradutora e intérprete de Libras Fran Almeida o projeto veio para promover mais cidadania ao surdo, que no dia a dia pode ter mais independência com o uso do aplicativo. “O Giulia precisa ser mais difundido. Estou ministrando aula para uma turma de 37 pessoas surdas e só uma o conhecia. Agora todos instalaram o aplicativo e estão fascinados com suas utilidades no dia a dia”.

FONTE: PROJETO COLABORA