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Aplicação de inteligência artificial e tecnologias inovadoras no Direito são tema do Thomson Reuters Innovation Summit

A cidade de São Paulo recebeu a primeira edição do Thomson Reuters’ Innovation Summit, evento organizado pela multinacional de tecnologia Thomson Reuters, e que mostrou as novas tecnologias, inovações e tendências futuras para a área do Direito. As apresentações aconteceram no FLIC (Future Law Innovation Center powered by Thomson Reuters, primeiro centro de inovação da empresa na América Latina) e teve a presença dos especialistas internacionais Bart Verheij (representante da Universidade de Groningen e do Instituto de Bernoulli de Matemática), Kevin D. Ashley (professor da Universidade de Pittsburgh e membro da Associação Internacional de Inteligência Artificial) e Roland Vogl (Diretor Executivo do CodeX – centro de inovação da Faculdade de Direito da Universidade de Stanford – e professor visitante da Universidade de Viena).

O Innovattion Summit contou com a presença de cerca de 80 pessoas, entre estudantes de Direito, advogados, representantes de empresas e de escritórios de advocacia. “Foi uma oportunidade excelente para discutirmos os caminhos da tecnologia aplicada ao Direito com alguns dos principais nomes que atuam globalmente dentro deste mercado. Trouxemos novas ideias, discutimos o futuro da profissão e possibilitamos uma interação muito válida para o ecossistema jurídico brasileiro”, afirma Ralff Tozatti, Diretor de Marketing da Thomson Reuters Brasil.

O principal assunto discutido foi o uso de Inteligência Artificial aplicada no mercado jurídico. Na abertura, o professor Kevin Ashley lembrou que a IA e a automação de processos tiveram significativa importância para agilizar o trabalho dos advogados, mas que o teor consultivo sempre ficará a cargo do advogado. “O computador consegue extrair a informação e cruzar dados, mas apenas o olhar humano é capaz de tomar a melhor decisão final”, explica o professor da Universidade de Pittsburg.

Bart Verheij destacou que a principal tendência do segmento, hoje, é usar a IA para identificar padrões e fazer uma análise inteligente dos dados para prever as possibilidades de uma ação ser bem-sucedida, resultados prováveis de processos e destinar esforços de maneira mais precisa. “O Direito é difícil para a máquina, pois é composto por uma série de fatores e detalhes distintos e complexos. Atualmente, o advogado consegue fazer uso do Big Data e do Machine Learning para entender melhor o comportamento de cada mercado onde atua e ter uma tomada de decisão muito mais acertada”, afirma o representante da Universidade de Groningen.

Roland Vogl também frisou que a análise e a interpretação dos advogados sempre serão essenciais. “A Inteligência Artificial só pode ser considerada como ameaça para quem se prende às práticas tradicionais de Direito. Com a tecnologia, advogados menos experientes já conseguem ser tão consultivos quanto profissionais com décadas de atuação que não se atualizaram. A inovação aprimora a atuação do advogado, nunca será um substituto”, garante o Diretor Executivo do CodeX. Para ele, essas inovações, que são fomentadas sobretudo pela comunidade de startups jurídicas (as legaltechs e lawtechs), têm como desafio principal solucionar as demandas das empresas e clientes por ações mais rápidas, baratas e transparentes.

Ainda sobre os impactos no mercado de trabalho, Vogl afirma que a chave para obter a prática jurídica perfeita é definir as tarefas que devem ser feitas pelas máquinas, sobretudo as atividades maçantes e repetitivas, e deixar a tarefa intelectual para os advogados. “Quase metade do tempo do profissional de Direito é em atividades que não são estratégicas. Eliminar isso vai criar novas oportunidades e advogados mais especializados”, completa.

Com isso, o profissional precisa adquirir novas características para se destacar com o aumento do uso da tecnologia. “É fundamental ter um bom entendimento sobre quais são os problemas que as empresas enfrentam e como a tecnologia ajuda a encontrar essas soluções. O advogado terá um trabalho muito mais consultivo”, assegura Vogl.

Outro assunto debatido no encontro foi o desenvolvimento de inovações para o mercado jurídico. De acordo com Ashley, o ideal é identificar quais são as tarefas importantes que precisam ser aprimoradas e, na sequência, trocar informações com pesquisadores para traçar qual é a tecnologia apropriada para solucionar este problema. “Advogados e profissionais de tecnologia precisam interagir. Cada um deles tem conhecimentos distintos e essa união proporciona o melhor entendimento sobre todas as possibilidades a serem alcançadas”, explica.

Privacidade

Um dos temas mais falados na atualizade é privacidade, após a provação da Lei Geral de Proteção de Dados no Brasil e a entrada em vigor de legislação semelhante na União Europeia. “Eu espero que tenhamos uma segunda revolução dentro deste segmento, com a chamada Inteligência Artificial Responsável. Será a tendência para os próximos 10 anos”, conta Verheij. O especialista afirma que o uso desta tecnologia deverá ser guiado pela ética e pela privacidade.

Dentro das propostas para segurança, estão sendo desenvolvidas inovações que fazem uso de blockchain dentro da área jurídica. “Seria fantástico conseguirmos usar blockchain na comunidade jurídica. Existe um grande potencial, já que se trata de um ambiente seguro para armazenamento e troca de informações. Realmente nos faz sonhar, mas ainda há um longo caminho até que se torne realidade”, conclui Verheij.

FONTE: E- COMMERCE NEWS