abr 07

“Apertem os cintos”: o novo roteiro da Netflix

Diante da desaceleração de seu crescimento e do avanço de rivais como Amazon e Disney, a ordem na companhia de streaming é segurar os gastos em áreas como contratações e conteúdo

Se em outros tempos, a Netflix era conhecida por não economizar dinheiro, a ordem agora na companhia de Los Gatos é apertar os cintos. Ao menos duas reuniões realizadas pela empresa nas últimas semanas contaram com alertas de executivos para que os funcionários economizem em gastos e contratações. Nos últimos três anos, a Netflix aumentou o número de funcionários em 59%, chegando a 11,3 mil empregados no fim de 2021.

Segundo uma reportagem do portal americano The Information, os executivos também afirmaram que a companhia deverá ser mais rigorosa em relação aos gastos com conteúdo e na escolha das produções que serão ofertadas no serviço. Projetos de grande orçamento deverão atrair muitos espectadores.

Uma estimativa do Morgan Stanley feita no fim de 2021 projetou que a empresa gastaria algo em torno de US$ 17 bilhões em conteúdo neste ano. Já a Disney+, uma das concorrentes do serviço, ampliaria o seu investimento em 40%, para US$ 23 bilhões. Ou US$ 33 bilhões considerando a compra de direitos esportivos.

A recomendação vem num momento em que a companhia está pressionada pela desaceleração de seus negócios. Em seu último relatório financeiro, a Netflix informou ter ampliado sua base de assinantes em 8,9% no quarto trimestre de 2021, em comparação ao patamar de 21,9%, reportado um ano antes.

As projeções para esse ano também não são otimistas. A Netflix espera um aumento de 2,5 milhões de assinantes em sua base para o primeiro trimestre deste ano. Foram 4 milhões no primeiro trimestre de 2021.

Esse número, inclusive, pode ser ainda menor, já que a companhia suspendeu o serviço na Rússia diante da invasão de tropas comandadas pelo Kremlin à Ucrânia. A companhia tem entre 1 milhão e 2 milhões de assinantes no país governado por Vladimir Putin.

Ao mesmo tempo, a empresa comandada por Reed Hastings e Ted Sarandos viu crescer a concorrência no setor de streaming com a presença cada vez mais relevante de empresas como Amazon e Disney no setor. Essa última, por exemplo, já soma 179 milhões de assinantes (contando os serviços Hulu e ESPN), contra 220 milhões da Netflix.

Enquanto tenta economizar, a Netflix vem tomando outras medidas para ampliar sua receita. Depois de elevar os preços no mercado americano na assinatura padrão, de US$ 13,99 para US$ 15,49, a companhia também passou a estudar uma forma de impedir que os usuários compartilhassem suas contas.

O compartilhamento de contas é uma prática comum em diferentes países. Nos Estados Unidos, uma pesquisa do Leichtman Research Group mostrou que pelo menos um terço dos usuários do serviço compartilhavam suas contas com terceiros.

A mudança na política deve vir com a adesão de uma taxa para permitir o compartilhamento das contas e que está sendo testada em mercados como Costa Rica, Chile e Peru.

Uma nova taxa poderia gerar um ganho de US$ 1,6 bilhão por ano, segundo estimativas do banco de investimento americano Cowen & Co. O valor corresponde a 5,3% da receita obtida no último ano fiscal.

A Netflix também está olhando com mais atenção para a diversificação de seus negócios. Mas, em vez de investir em esportes como seus rivais, o foco está no mercado de games. Em setembro, a companhia comprou o estúdio Night School, por um valor não revelado, e, recentemente, adquiriu a produtora Next Games, da Finlândia, por US$ 72 milhões.

FONTE: https://neofeed.com.br/blog/home/apertar-os-cintos-o-novo-roteiro-da-netflix/