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Alinhamento tecnológico: fintechs incentivam serviços financeiros

Espaço multibanco do Banco 24 Horas, da TecBan, em Parnaíba (PI), ainda em fase de projeto-piloto, opera como uma agência, mas atende várias instituições bancárias (foto: TecBan/Divulgação)

Aumento de bancos digitais tem estimulado empresas, como a Brinks e a TecBan, que já atuam na área, a oferecer opções para atender a uma nova forma de lidar com o dinheiro

São Paulo — A proliferação de fintechs, o avanço dos meios de pagamento e a mudança nas formas de se relacionar com o dinheiro têm gerado não apenas novas experiências para a sociedade, mas oportunidades de negócios. O avanço rápido desse ecossistema, amplificado em especial pelo crescimento dos bancos digitais, é confirmado pelos números. No Brasil, já estão em funcionamento 553 fintechs, como mostra estudo divulgado no primeiro semestre pela Distrito, holding de negócios especializados em inovação. Segundo o Fintech Mining Report 2019, 231 startups voltadas a serviços financeiros abriram as portas entre 2016 e 2018.

As novas tecnologias e a oferta de outros tipos de serviços têm levado empresas já com experiência no mercado financeiro a estudar formas de aproveitar essas oportunidades. Especializada em logística e transporte de valores, a Brinks acaba de lançar uma plataforma integrada ao aplicativo dos bancos que possibilita o serviço de saque no varejo físico.

Dinheiro sem banco

Batizado de Brinks Pay, o app permite aos correntistas de bancos parceiros da empresa a utilização do smartphone para sacar dinheiro diretamente no caixa, por exemplo, de supermercados, farmácias e salões de beleza. Por meio de geolocalização, o próprio app informa o endereço dos parceiros que oferecem esse serviço e gera um QR-Code que é lido pelo equipamento operado pelo funcionário do caixa para que o saque possa ser feito.

Para a Brinks, essa é uma forma de gerar uma nova fonte de serviços, já que a empresa é remunerada pelo banco a cada operação. Além disso, o novo negócio mostra uma alternativa para a reutilização do dinheiro que entra no caixa das empresas. Em vez de o numerário ser levado por um funcionário no fim do dia até uma agência bancária ou ser retirado por funcionários com carros-fortes, como os oferecidos pela própria Brink’s, passa a ir para as mãos dos correntistas.

Já os clientes de bancos que recorrerem a esse tipo de serviço passam a ter mais alternativas às agências bancárias e aos ATMs, os caixas eletrônicos. Para o varejo, é uma forma de atrair mais clientes para dentro das lojas. Já os bancos, especialmente os digitais, que não têm agências, passam a contar com outras opções de prestadores de serviço além das atuais empresas que atuam com a operação de ATMs.

Mais serviços

O novo serviço, segundo a empresa, não significa que a Brinks pretende deixar se atuar no transporte de valores. Mas viu no crescimento dos serviços financeiros nascidos no ambiente tecnológico a oportunidade de agregar mais um braço de negócio.

“A Brinks tem buscado há muito tempo um processo de ampliação da sua oferta para o varejo e instituições financeiras, resolvendo problemas. O lançamento dessa solução é mais um movimento nessa direção. Percebemos que havia uma oportunidade existente no mercado, ligando o varejo a instituições financeiras com diferentes perfis, do tradicional ao banco digital. Especialmente com o crescimento dos bancos digitais, vimos a necessidade deles oferecerem aos clientes a alternativa do saque”, explica Gil Hipólito, diretor de Marketing e Novos Negócios.

Na primeira fase, o Brinks Pay vai oferecer apenas a opção de saque, mas o objetivo é passar a oferecer, a partir do segundo trimestre de 2020, outros serviços, como depósito, troco digital e as chamadas compras on us. Nessa modalidade, não é necessário o uso de cartões.

Desbancarizados

Segundo João Carlos Brunhera, diretor-geral da Brinks Global Payments, no Brasil, de acordo com dados de 2018 do Banco Central (BC), 29% da população economicamente ativa recebe o salário em dinheiro e cerca de quase 40% das transações no país são feitas com o uso de numerário. “Com o crescimento das fintechs, percebemos que havia uma lacuna. O brasileiro ainda precisa do dinheiro físico”, diz.

 

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE