maio 15

Agrotech Olho do Dono usa visão computacional para pesagem de bois

Uma das 100 startups mais promissoras de 2019, Olho do Dono permite pesar 250 bois em 20 minutos, trazendo mais eficiência ao setor

A startup Olho do Dono criou uma solução, a partir de visão computacional e inteligência artificial, para pecuaristas pesarem seu rebanho de forma rápida e eficiente. A pesagem, hoje, é tão importante quanto custosa ao fazendeiro – especialmente para aquele que tem um grande número de cabeças de gado. Por isso, a agrotech recebeu prêmios nacionais e internacionais e foi considerada uma das 100 startups para ficar de olho em 2019.

Pedro Coutinho, CEO da Olho do Dono, será um dos palestrantes da Agrotech Conference, que acontece em São Paulo no dia 19 de junho.  

O empreendedor conversou com a StartSe e afirmou que o reconhecimento é gratificante, porque “a equipe se dedicou muito para identificar a dor do pecuarista e criar uma solução viável”. O Olho do Dono venceu o 1º TechCrunch Startup Battlefield da América Latina, foi considerada a melhor startup agro do país pela Intercorte e também ganhou o concurso Finep Startup.

Validação

Pedro Coutinho tem seu background na área de tecnologia, e até 2013 nunca teve contato com o agronegócio. A entrada neste mercado aconteceu pela parceria com o empreendedor Grégoire Orélio(atualmente executivo da Loggi e sócio minoritário do Olho do Dono), que, na época, prestava consultoria a uma fazenda de gado. A primeira ideia foi criar uma plataforma de gestão para produtores rurais, mas o projeto evoluiu para solucionar um problema mais latente no segmento: a pesagem.

O fazendeiro não tinha ferramentas para calcular efetivamente o tamanho do seu rebanho, e, principalmente, o estoque de carne que havia nele. “Para se pesar o boi, este precisa ir do pasto ao curral e voltar. O processo costuma levar boa parte do dia, que ele passa sem se alimentar e beber água. O animal anda muito, perde peso e é uma atividade que o estressa”, explica Coutinho.

“É um processo muito demorado e que requer de cinco a seis vaqueiros. Por isso, os pecuaristas costumam pesar o rebanho apenas duas vezes por ano, quando os bois precisam tomar vacina, aproveitando a ‘viagem’ ao curral”, esclarece o empreendedor.

Após identificar a necessidade do mercado, Pedro Coutinho usou sua expertise em tecnologia para pensar na solução. A ideia, que começou a ser desenvolvida em 2015, é usar recursos de visão computacional para gerar um modelo tridimensional do animal a partir de imagens obtidas por uma câmera 3D. A partir daí, um algoritmo de inteligência artificial analisa uma extensa base de dados com características e pesagens de milhares de bois para comparar com o modelo e fornecer um peso preciso em poucos segundos.

Tecnologia no campo

Todo este processo, que requer tecnologias avançadas, foi concretizado em um dispositivo com uma câmera dupla e um tripé, que pode ser instalado em qualquer local e cabe em uma mochila pequena. Basta posicioná-lo em um espaço de passagem do gado e clicar em um botão para gravar.

Os primeiros resultados em testes do Olho do Dono foram extremamente positivos. Foi possível pesar com assertividade 250 animais em 20 minutos, sem a necessidade de mais de uma pessoa para instalar o equipamento.

“Aumentamos a produtividade e o lucro do pecuarista, garantindo o bem-estar animal”, comemora Pedro Coutinho. Sem deslocamentos e com mais informação, o produtor do campo evita estresse e perda de peso, pode acompanhar os resultados da suplementação dos bois e sabe exatamente quando vender, abater ou reproduzir um animal. “Tudo que o fazendeiro faz no dia-a-dia é pensado para o gado ganhar mais peso com bem-estar, de forma saudável”, diz.

Por enquanto, a solução está focada apenas em bois da raça Nelore Zebuíno, que corresponde a aproximadamente 85% do rebanho nacional. Testes são realizados em 15 fazendas para promover o feedback e aprimorar o produto. No futuro, porém, a tecnologia deve ser adaptada para outras raças e espécies, como suínos, e atingir o mercado internacional.

FONTE: STARTSE